Obesidade infantil: o que os pais precisam saber?

A obesidade, definida como sendo uma desordem na composição corporal em que há excesso absoluto ou relativo de massa gorda, é considerada um dos maiores problemas de saúde pública. É doença crônica, complexa e multifatorial que traz prejuízos mediatos e até a longo prazo, tanto para a saúde física quanto metabólica e emocional.

Independente da causa, o evento final é na verdade uma ingestão calórica superior ao gasto energético, levando ao acúmulo de tecido adiposo.

Você sabe como a obesidade acontece?

A gordura em excesso atua como um órgão endócrino problemático, liberando substâncias inflamatórias que induzem alterações vasculares e aceleram problemas como a resistência à insulina, esteatose hepática (gordura no fígado) e hipertensão, mesmo em idades muito precoces.

Qual é a melhor forma para definir obesidade?

O método mais confiável e recomendado atualmente pela OMS não é simplesmente olhar o peso ou o percentil de peso, mas sim calcular o IMC (Índice de massa corpórea), registrá-lo na curva de crescimento adequada e interpretá-lo de acordo com a idade e sexo da criança ou do adolescente. O peso ideal para a idade da criança vai depender da estatura, do sexo e do “lugar” exato em que a criança está na curva de crescimento.

Além do IMC, que outros fatores são importantes para o diagnóstico de sobrepeso/obesidade?

Histórico e exame físico detalhados, além da avaliação criteriosa sobre a necessidade de exames complementares.

A interpretação do IMC para crianças e adolescentes é igual à interpretação para os adultos?

Não, uma vez que é necessário entender que da infância à adolescência, a composição corporal varia e isso reflete diretamente no IMC que muda a partir do momento em que o corpo se desenvolve. Ao contrário dos adultos, não é o número que diz como está o diagnóstico nutricional da criança ou do adolescente, mas onde esse número se encontra dentro das curvas de crescimento. Portanto, a forma como o IMC é utilizado nessa faixa etária possui uma regra que o difere totalmente da avaliação em adultos.

O aleitamento materno é fator protetor contra a obesidade?

Sim. Há evidências científicas consistentes de associação entre aleitamento materno e menor risco de sobrepeso/obesidade na infância, tendo em vista fatores como mecanismos de autorregulação da ingestão, possível programação metabólica e existência de uma microbiota mais saudável e menos obesogênica.

“Meu filho vai crescer e emagrecer?’’

Nem sempre. Durante o crescimento, a criança pode ganhar estatura e o IMC pode diminuir. Mas não devemos esperar que a obesidade desapareça simplesmente porque a criança vai crescer. Quanto mais cedo identificamos o excesso de peso e avaliamos a trajetória de crescimento, alimentação, atividade física, sono e possíveis complicações, maiores serão as oportunidades de intervenções adequadas.

O pediatra tem papel fundamental na avaliação, diagnóstico e acompanhamento dos quadros de obesidade, por meio do incentivo às medidas preventivas e de hábitos saudáveis, detectando precocemente esses casos e intervindo quando necessário .O tratamento é desafiador, requer empatia e envolvimento de toda a equipe médica em conjunto com a família do paciente.

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