A importância da vitamina D

Nos últimos anos, tem-se estudado muito o papel da vitamina D no corpo humano. Hoje, sabe-se que as funções desse hormônio vão muito além do metabolismo ósseo e que determinadas situações têm contribuído para a sua deficiência. Recentemente, alguns trabalhos científicos têm mostrado uma relação entre a obesidade e a deficiência de vitamina D. E isso inclui a faixa etária pediátrica.

A fonte principal de vitamina D é a luz solar (vitamina D3), a qual é absorvida pela pele e participa da síntese do hormônio a partir do seu precursor, o colesterol. A vitamina D3 é também encontrada em peixes ricos em óleo, como salmão e cavala. Os cogumelos expostos à luz solar são outras fontes ricas da vitamina D2, a outra forma na qual é encontrada na natureza.

A vitamina D, em quantidades suficientes no corpo humano, garante a absorção eficiente de cálcio e fósforo. Sem a sua presença, apenas 10-15% do cálcio e 60% do fósforo da alimentação são absorvidos. Além dessa função, desempenha várias outras ações biológicas, estando o seu receptor presente na maioria dos tecidos do corpo: inibição da proliferação celular, inibição da angiogênese, estímulo à produção de insulina, inibição da produção de renina e estímulo à ação dos macrófagos.

Os dados epidemiológicos sobre a deficiência da vitamina D são alarmantes, inclusive na faixa etária pediátrica. Estudos recentes realizados nos EUA mostram que mais de 50% dos adolescentes hispânicos e afroamericanos de Boston e 48% dos pré-adolescentes brancos de Maine têm deficiência desse hormônio, ou seja, níveis inferiores a 20 ng/mL.

Causas da deficiência de vitamina D

Sem dúvida, a maior causa de deficiência de vitamina D é a exposição insuficiente aos raios solares. O uso de protetor solar com FPS superior a 30 reduz a produção da vitamina D na pele em mais de 95%.

Pessoas com a cor da pele mais escura têm maior risco de deficiência, já que têm proteção solar natural. Necessitam, portanto, 3 a 5 vezes mais tempo de exposição ao sol para a produção da mesma quantidade de vitamina D que uma pessoa com pele clara.

Há ainda uma relação inversa dos níveis da vitamina D e o índice de massa corporal, ou seja, a obesidade tem uma associação direta com a sua deficiência. Outras situações também estão relacionadas à falta do hormônio, como síndromes de má absorção intestinal, uso de medicamentos anticonvulsivantes, alguns linfomas e doenças endócrinas, como alterações das glândulas paratireróides.

Consequências da deficiência de vitamina D

A falta da vitamina D no corpo resultará em anormalidades do metabolismo do cálcio, do fósforo e, consequentemente, dos ossos. Como não se consegue uma quantidade adequada de cálcio no organismo, que é essencial para diversas funções celulares, esse mineral é mobilizado do esqueleto, gerando uma diminuição da sua densidade, o que leva à osteopenia e osteoporose. Nas crianças, as modificações estruturais dos ossos em desenvolvimento provocam uma variedade de deformidades esqueléticas, classicamente conhecidas como raquitismo.

Além das alterações ósseas, a deficiência de vitamina D causa fraqueza muscular e, recentemente, tem sido associada ao desenvolvimento de doenças autoimunes, como diabetes mellitus tipo 1, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, lúpus, etc.

Como se evitar a deficiência de vitamina D

Sem dúvida, a exposição solar nos horários recomendados (luz solar direta, sem a aplicação de protetor), além da ingestão de alimentos ricos em vitamina D (tabela abaixo), é a forma mais barata e eficiente de se evitar a sua deficiência.

Exemplos de alimentos ricos em vitamina D
Óleo de fígado de bacalhau

Salmão

Sardinha

Cavala

Atum

Cogumelo shiitake (fresco ou desidratado)

Gema de ovo

Alimentos fortificados (leite, sucos, iogurtes, margarina, cereais)

Recentemente, tem-se recomendado a suplementação de vitamina D a um grande número de pessoas sob risco de deficiência hormonal. Através da consulta médica, procura-se identificar situações de risco, como baixa exposição solar, ingestão de quantidades insuficientes de alimentos ricos em vitamina D ou ainda o diagnóstico de doenças que interferem no metabolismo da vitamina D ou de cálcio/fósforo.

Nesses casos, a suplementação oral é muito importante. No mercado, já se encontram disponíveis preparações em gotas, de fácil ingestão até para os recém-nascidos. As doses e preparações devem ser individualizadas e o acompanhamento médico é essencial.

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